Sr. Narciso Martim – o legado de uma vida vencendo desafios

Mais um #TBT para homenagear um dos fundadores da Infibra S/A: o Sr. Narciso Martim. Gaúcho de Sananduva, que chegou a Leme em 1960, vindo à época de Osasco/SP, ex-empregado da Eternit, para empreender e montar a Permatex com o Sr. Vitório Bonfanti.

O papo hoje é sobre o “papai de todos”, Narciso Martim, que nasceu em 28 de outubro de 1916.

São incontáveis os desafios que ele encarou…. Aos 44 anos e com quatro filhos pequenos, deixou um emprego estável de gerente industrial da líder do setor e veio de trem para Leme, sempre com o apoio de sua esposa Thereza. Já com 53 anos e cinco filhos, ajudou a montar uma nova fábrica, a Infibra (dizem que, para a época, foi muito arrojado, porque nessa faixa de idade se costumava flertar com a aposentadoria). Aos 66 anos encarou mais um desafio, já idoso, quando a Infibra comprou e incorporou a Permatex no mesmo grupo. Os filhos, ele parou nos cinco mesmo.

Estas são pequenas lembranças de uma grande história escrita por um brasileiro autodidata, que estudou até o 2º ano do grupo, filho de espanhóis, que subiu do Rio Grande do Sul para o Paraná, onde aprendeu fazer chapas de papel na Klabin. Posteriormente chegou em São Paulo e aprendeu a ondular chapas de fibrocimento e por fim tornou-se um cidadão Lemense, pelas mãos do vereador Carlos Leme de Arruda, com muito orgulho, segundo ele.

Quando deixou a Permatex em 1968, já em 1969 não mediu esforços para iniciar as atividades da nova fábrica, juntamente com Hamilton Da Roz e os irmãos Geraldo e Luiz Fernando Marchi, a qual batizaram de Infibra.

Montaram esta pequena empresa em uma área no Jardim Serelepe, às margens da Rodovia Anhanguera, com a ajuda do então prefeito Serginho Antunes e que aos poucos foi crescendo e ganhando uma fatia de mercado.

Eles passaram por todos os percalços comuns às pequenas empresas, com o agravante do famoso vendaval de 1972, que derrubou o prédio da fábrica, moeu suas estruturas metálicas, mas não feriu ninguém e deixou intacto o maquinário, o que permitiu que pudessem recomeçar num galpão simples apoiado por toras de eucalipto.

Reconstruíram a empresa, reergueram-se e fincaram de vez o seu nome no mercado quando em 1982 compraram a Permatex, e o resto é história…

Em suma, ele gostava de desafios, sempre foi um trabalhador incansável, um sonhador e um visionário, gostava de enxergar um pouco além do horizonte próximo – esta, a sua melhor qualidade, ele costumava dizer, e parece que deu certo.

Faleceu em 29 de maio de 1993, meses antes de completar 77 anos e talvez inventar uma outra história, como sempre lhe ocorria a cada década.

Corta para os dias de hoje: atualmente o grupo Infibra/Permatex conta com mais de 430 empregados diretos e vem crescendo cada vez mais, administrada atualmente já pela segunda geração (os filhos dos sócios).

Uma xiste: ele costumava dizer que colocou o primeiro sapato nos pés aos 12 anos, que nunca jogou bola e que só virou Corinthiano porque desembarcou em São Paulo numa pensão que só tinha palmeirense, reproduzindo sempre o diálogo:

– “Quê time vocês torcem?
– “PALMEIRAS” – responderam os hóspedes.
– “E de quem vocês não gostam?”
– “Corinthians!”
– “Então sou corintiano!” dizia o espanholzinho, sempre do contra.